Acho que esse texto teria uma perspectiva bem diferente se fosse escrito por uma mulher. Me pareceu em alguns momentos que a ideia de solidão ou não está associada a relacionamentos românticos. Talvez a pergunta seja: porque essas mulheres não querem mais dividir a casa com homens? E não se trata apenas de mulheres que sofreram violências ou algo parecido.
Por outro lado, que bom que um homem cis escreveu esse texto com tal aprofundamento de consciência e sem ponto final. Oras, ele fez diversas indagações, inclusive, levantando o aspecto cultural do amor romântico como sendo centralizador de realização. São fatos do nosso desenvolvimento e, penso ser fundamental, reconhecer o sentido de realidade: as coisas são como são, não como gostaríamos que fossem. Existir um ideal como parâmetro não exclui a singularidade da dureza da vida: ela é. Há de se reconhecer que um homem pode levantar tal questionamento de sua visão de mundo (incluindo várias referências em sua análise).
Em nenhum momento disse que ele não pode fazer análise e nem falei nada sobre visão idealista da vida. Só falei que a ótica seria bem diferente feito por uma mulher, porque o texto começa falando sobre mulheres que sofreram violência e que agora estão "solitárias", e não é bem isso, mulheres estão escolhendo viverem sozinhas por outros vários motivos que sinceramente não caberia aqui em um comentário.
Adorei o texto, mas concordo com você! No meu caso, sou a primeira mulher da minha família a morar (e a se bancar) sozinha, e vejo muitas dessas influenciadoras valorizando isso. Aí mora a escolha, e acho que poderia ser pontuada além das opções de estar fugindo de um relacionamento ruim. No mais, achei o texto ótimo!!
Foi a primeira coisa que eu pensei! Esse texto só podia ter vindo de um homem, apesar dos dados relevantes e das indagações pertinentes, falta um subtexto de gênero (que nem é válido cobrar do autor, inclusive). Mulheres hoje tem o privilégio de escolherem a solitude, enquanto à muitos homens a solidão foi consequência.
Eu penso que a questão aqui é a quem interessa essa performatividade da solidão em redes sociais? A quem interessa mulheres cada vez mais isoladas e sozinhas? E não se trata de companheiros românticos, o texto levanta a reflexão para a completa solidão social…
Eu aqui na minha solidão (dias doente sozinha em casa), amando-a, odiando-a, chamando os fantasmas para sentarem à mesa, doida pra ver meus amigos quando melhorar, doida pra ficar só de novo quando a bateria social acabar. Esse texto engloba tudo isso: sobre a complexidade solidão/comunidade. E no fim, concordo, o angustiante é não poder ter pra onde correr quando a solidão bate à porta, e de mesmo modo, não poder correr do social quando ele te exaure.
Vocês precisam acreditar nas mulheres quando elas dizem que realmente estão felizes sozinhas, não se trata de perfomance. Muitas vezes, há um conteúdo prescrito, e não para se convencer ou convencer alguém de que esse estilo de vida é bom, mas simplesmente porque falta representatividade - e, talvez, seja necessário sim uma dose de publicidade/visibilidade. Eu sou uma mulher cis hetera de 39 anos e o meu universo está cercado de amigas casadas e com filhos pequenos nesse momento, sinto falta de enxergar e sonhar outras formas de existir e ser feliz no mundo dentro desse meu recorte. Morar sozinha-etc é onde eu finalmente encontrei paz e alegria. Acho que vocês pecam em colocar no mesmo balaio um suposto sintoma que parece ser o mesmo para quase todos nós e definitivamente não é. Essas são novas narrativas de mundo (im)possíveis para nós, mulheres (cis/trans), novas mutações (já sabem a ref, né?) que irrompem de subjetividades há muito engessadas, violentamente impostas. Não é justo nos colocar nesse lugar de quem foge da fricção do mundo real, por sinal bem agressivo com as abjetas. Por favor, nos deixem em paz - com todas as semânticas que essa frase carrega.
Recebi esse e-mail e, logo pelo tema, ele chamou minha atenção. Talvez porque toque exatamente em um dilema que vivo há algum tempo: o desafio de equilibrar meu amor pela solitude com a necessidade humana de criar e manter relacionamentos. Eu realmente gosto de estar sozinha. Esses momentos me trazem paz, clareza e uma sensação de pertencimento a mim mesma.
Ao mesmo tempo, reconheço que a convivência é parte essencial da vida. Construir vínculos, compartilhar experiências e dividir a rotina também é importante. O problema é que, para mim, isso frequentemente exige sair de uma zona de conforto que aprendi a valorizar. O movimento, o barulho, a imprevisibilidade, a necessidade de negociar espaços, a dificuldade de dormir acompanhada...
Confesso que, por vezes, sinto culpa por amar tanto a solitude. Como se preferir minha própria companhia fosse um sinal de egoísmo ou uma dificuldade de amar o outro.
li no meu email e achei, além de genial, muito bem escrito! O Substack tem sido uma rede em que tenho conseguido me relacionar mais profundamente com coisas e pessoas e isso tem me alimentado maravilhosamente. Posts estáticos e escrita bem desenvolvida, enfim…Uma forma de fugir da realidade que o texto escancara super bem.
Gostei demais desse texto, além de muito bem escrito (nunca tive tantas referencias boas para conhecer) deu um panorama global muito importante sobre o assunto e, principalmente, a força do mercado em nos fazer consumir essa solidão capitalizada. Concordo que teríamos outros aprofundamentos e desdobramentos pela perspectiva dos motivos das mulheres escolherem viver sozinhas (se levar em conta a solidão das mulheres pretas, então, uma newsletter não daria conta). Mas nada disso invalida as informações aqui colocadas, penso, inclusive, que vale uma continuação desse tema a partir desses outros aspectos como uma forma de ampliar ainda mais os interesses econômicos e sociais advindos desse fenômeno mundial.
Lendo aqui, enquanto percebo que eu estou me sentindo sozinha. Aqui, lendo, porque a solidão pode bater 21:45 de uma quarta, enquanto tenho tanta coisa pra fazer, que diriam que a solidão não tem nem espaço (e talvez eu não tenha deixado ela ficar mesmo, há algum tempo).
Que a gente se acompanhe. Que a gente se permita sentar com quem amamos e em outros momentos sentar com a solidão, lado a lado. :)
Gostaria de entender melhor quando você diz que ‘essa solidão’ não advém do realismo capitalista. O que você quis dizer com “é um recurso, uma feature”?
Cada um de nós é parte da Consciência Coletiva. Agora ...entendemos por que cada vez mais pessoas se sentem sozinhas?
Sim, escolher o nosso espaço e o nosso tempo traz paz, mas não é a verdadeira Paz. Esta última conquista-se quando evoluímos para valorizar a ligação que existiu desde sempre.
Acho que esse texto teria uma perspectiva bem diferente se fosse escrito por uma mulher. Me pareceu em alguns momentos que a ideia de solidão ou não está associada a relacionamentos românticos. Talvez a pergunta seja: porque essas mulheres não querem mais dividir a casa com homens? E não se trata apenas de mulheres que sofreram violências ou algo parecido.
Por outro lado, que bom que um homem cis escreveu esse texto com tal aprofundamento de consciência e sem ponto final. Oras, ele fez diversas indagações, inclusive, levantando o aspecto cultural do amor romântico como sendo centralizador de realização. São fatos do nosso desenvolvimento e, penso ser fundamental, reconhecer o sentido de realidade: as coisas são como são, não como gostaríamos que fossem. Existir um ideal como parâmetro não exclui a singularidade da dureza da vida: ela é. Há de se reconhecer que um homem pode levantar tal questionamento de sua visão de mundo (incluindo várias referências em sua análise).
Em nenhum momento disse que ele não pode fazer análise e nem falei nada sobre visão idealista da vida. Só falei que a ótica seria bem diferente feito por uma mulher, porque o texto começa falando sobre mulheres que sofreram violência e que agora estão "solitárias", e não é bem isso, mulheres estão escolhendo viverem sozinhas por outros vários motivos que sinceramente não caberia aqui em um comentário.
Eu estava procurando esse comentário e como pessoa trans os meus motivos para "abraçar" a solidão são bem diferentes TB.
Adorei o texto, mas concordo com você! No meu caso, sou a primeira mulher da minha família a morar (e a se bancar) sozinha, e vejo muitas dessas influenciadoras valorizando isso. Aí mora a escolha, e acho que poderia ser pontuada além das opções de estar fugindo de um relacionamento ruim. No mais, achei o texto ótimo!!
Foi a primeira coisa que eu pensei! Esse texto só podia ter vindo de um homem, apesar dos dados relevantes e das indagações pertinentes, falta um subtexto de gênero (que nem é válido cobrar do autor, inclusive). Mulheres hoje tem o privilégio de escolherem a solitude, enquanto à muitos homens a solidão foi consequência.
Exatamente, foi a primeira coisa que eu pensei: certamente, esse texto foi escrito por homem cis.
Uma ótica a se levar em conta! 🫰🏻
Eu penso que a questão aqui é a quem interessa essa performatividade da solidão em redes sociais? A quem interessa mulheres cada vez mais isoladas e sozinhas? E não se trata de companheiros românticos, o texto levanta a reflexão para a completa solidão social…
Eu aqui na minha solidão (dias doente sozinha em casa), amando-a, odiando-a, chamando os fantasmas para sentarem à mesa, doida pra ver meus amigos quando melhorar, doida pra ficar só de novo quando a bateria social acabar. Esse texto engloba tudo isso: sobre a complexidade solidão/comunidade. E no fim, concordo, o angustiante é não poder ter pra onde correr quando a solidão bate à porta, e de mesmo modo, não poder correr do social quando ele te exaure.
Vocês precisam acreditar nas mulheres quando elas dizem que realmente estão felizes sozinhas, não se trata de perfomance. Muitas vezes, há um conteúdo prescrito, e não para se convencer ou convencer alguém de que esse estilo de vida é bom, mas simplesmente porque falta representatividade - e, talvez, seja necessário sim uma dose de publicidade/visibilidade. Eu sou uma mulher cis hetera de 39 anos e o meu universo está cercado de amigas casadas e com filhos pequenos nesse momento, sinto falta de enxergar e sonhar outras formas de existir e ser feliz no mundo dentro desse meu recorte. Morar sozinha-etc é onde eu finalmente encontrei paz e alegria. Acho que vocês pecam em colocar no mesmo balaio um suposto sintoma que parece ser o mesmo para quase todos nós e definitivamente não é. Essas são novas narrativas de mundo (im)possíveis para nós, mulheres (cis/trans), novas mutações (já sabem a ref, né?) que irrompem de subjetividades há muito engessadas, violentamente impostas. Não é justo nos colocar nesse lugar de quem foge da fricção do mundo real, por sinal bem agressivo com as abjetas. Por favor, nos deixem em paz - com todas as semânticas que essa frase carrega.
Recebi esse e-mail e, logo pelo tema, ele chamou minha atenção. Talvez porque toque exatamente em um dilema que vivo há algum tempo: o desafio de equilibrar meu amor pela solitude com a necessidade humana de criar e manter relacionamentos. Eu realmente gosto de estar sozinha. Esses momentos me trazem paz, clareza e uma sensação de pertencimento a mim mesma.
Ao mesmo tempo, reconheço que a convivência é parte essencial da vida. Construir vínculos, compartilhar experiências e dividir a rotina também é importante. O problema é que, para mim, isso frequentemente exige sair de uma zona de conforto que aprendi a valorizar. O movimento, o barulho, a imprevisibilidade, a necessidade de negociar espaços, a dificuldade de dormir acompanhada...
Confesso que, por vezes, sinto culpa por amar tanto a solitude. Como se preferir minha própria companhia fosse um sinal de egoísmo ou uma dificuldade de amar o outro.
li no meu email e achei, além de genial, muito bem escrito! O Substack tem sido uma rede em que tenho conseguido me relacionar mais profundamente com coisas e pessoas e isso tem me alimentado maravilhosamente. Posts estáticos e escrita bem desenvolvida, enfim…Uma forma de fugir da realidade que o texto escancara super bem.
Gostei demais desse texto, além de muito bem escrito (nunca tive tantas referencias boas para conhecer) deu um panorama global muito importante sobre o assunto e, principalmente, a força do mercado em nos fazer consumir essa solidão capitalizada. Concordo que teríamos outros aprofundamentos e desdobramentos pela perspectiva dos motivos das mulheres escolherem viver sozinhas (se levar em conta a solidão das mulheres pretas, então, uma newsletter não daria conta). Mas nada disso invalida as informações aqui colocadas, penso, inclusive, que vale uma continuação desse tema a partir desses outros aspectos como uma forma de ampliar ainda mais os interesses econômicos e sociais advindos desse fenômeno mundial.
essa frase aqui: "as inconveniências foram removidas, optamos pelo conforto sem confronto, sem desencontro e com menos deslocamento." 🤌🏻🤌🏻🤌🏻
Vivo só da melhor forma possível mas, viver só não é, nem de longe, a melhor forma possível.
Bora vender remédio para depressão e ansiedade para todo esse povo, que é isso que a Big Pharma quer 🙁
Lendo aqui, enquanto percebo que eu estou me sentindo sozinha. Aqui, lendo, porque a solidão pode bater 21:45 de uma quarta, enquanto tenho tanta coisa pra fazer, que diriam que a solidão não tem nem espaço (e talvez eu não tenha deixado ela ficar mesmo, há algum tempo).
Que a gente se acompanhe. Que a gente se permita sentar com quem amamos e em outros momentos sentar com a solidão, lado a lado. :)
interessantíssimo!
Gostaria de entender melhor quando você diz que ‘essa solidão’ não advém do realismo capitalista. O que você quis dizer com “é um recurso, uma feature”?
Eu realmente questiono essa percepção de que isolamento e cono fumar cigarros.. se fosse assim eu já estariaxpessima.. e eu estou bem..kkk
Sempre bom ler/ouvir vocês!
Cada um de nós é parte da Consciência Coletiva. Agora ...entendemos por que cada vez mais pessoas se sentem sozinhas?
Sim, escolher o nosso espaço e o nosso tempo traz paz, mas não é a verdadeira Paz. Esta última conquista-se quando evoluímos para valorizar a ligação que existiu desde sempre.
Wholeness - qual é a palavra em português?
Será que a solidão não vem a serviço da prepotência? Prepotência de se negar com ser humano, como figura que precisa de ajuda, que precisa do outro.