VULGARIDADE COMPULSÓRIA - PARTE I
quando vícios, vilania e a flexibilidade moral tornam-se grandes virtudes.
quanta desonestidade você presenciou ou ficou sabendo na última semana? ou no último mês? casos de mutreta, trambique, sacanagem, crueldade, mentirada e outras variantes da trapaça que, convenhamos, andam bastante em voga. tudo muito cínico e oportunista, mas surpreendentemente descarado, assumido, em alguns casos até enaltecido. vamos de causos, para citar alguns recentes.

recapitulando, recentemente teve a "creator” Karen Bachini que vendeu como autorais as ilustrações feitas com IA em seu clube de assinatura pago (R$149 por mês!) “para quem ama e vive arte”.
teve harmonização facial ungida, “glória a Deus por isso, amém!”.
também rolou o influ que postou um vídeo dizendo que a pornografia acabou com seu casamento; mas, na verdade, esclareceu que não estava falando de uma experiência pessoal, foi tudo um mal-entendido para gerar engajamento. no “português" claro, um bait.
a Copa foi um grande show. o jovem senhor que atende pelo codinome Menino-Ney aproveitou a folga da Seleção nos EUA para comprar um relógio de 1 milhão de dólares. o mesmo jogador que, em 5 partidas, totalizou 38 minutos em campo. em um dos jogos, o presidente dos EUA discordou do cartão vermelho dado a um jogador estadunidense, então ligou para o presidente da FIFA e conseguiu que a punição fosse anulada. questionado, Donald Trump confirmou a carteirada com orgulho. como nos demais dias de 2026, a Copa do Mundo também empilhou absurdos.
em um primeiro nível, todas essas saturações são exemplos de uma moral cada vez mais frouxa, rota, elástica. e, claro, muito fraca. mas olhando mais de perto, temos aqui uma das bases filosóficas da atualidade: a VULGARIDADE COMPULSÓRIA.





