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arte pós-IA e anti-slop, ⁠⁠Mariah Carey e a publicidade no modo delírio, além do constrangimento que é ter um namorado (será?)

uma breve seleção de objetos culturais, linguagens, casos e fofocas que você não sabia que queria ficar sabendo.

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Andre Alves, Lucas Liedke, Maria Clara Villas, e Nina Grando
nov 13, 2025
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arte pós-IA e anti-slop: manualidade como ato de resistência

“ser humano é não ser uma IA”: quando a inteligência artificial consegue escrever músicas, pintar quadros e editar imagens, o que acontece com a arte e o fazer artístico? essa discussão não é nova e muito menos está perto de um desfecho, mas estamos vendo um momento de virada onde a materialidade, o gesto e o erro se tornam uma forma de resistência à estética polida e previsível da automação. uma revalorização do que depende de presença física, tempo e corpo. do que é intrinsecamente humano.

Rosalía exemplifica bem esse momento: no lançamento de seu novo álbum LUX, ela contou que chegou a testar ferramentas de IA na composição, mas o resultado foi decepcionante. o disco foi feito inteiramente por humanos, com instrumentos acústicos, coros e orquestras em uma escolha da artista por complexidade. em um momento em que parte da indústria adota sistemas generativos para produzir conteúdo em escala, ela aposta em um processo que exige colaboração real e domínio técnico.

para além de ovacionar ou criticar as escolhas da artista catalã, o que este momento ressalta é que o discurso anti-AI vai subindo o tom. o humano, aqui, é tanto método quanto uma declaração das suas intenções. algo especialmente valioso em um momento em que parte da indústria musical parece não se importar — ou incentivar? — a cadência de músicas e até artistas totalmente produzidos com Inteligência Artigicial. vale estudar o caso Xania Monet e o que ela representa para o estado atual das coisas.

na semana passada, a Apple TV divulgou os bastidores da criação de sua nova vinheta, filmada com um logotipo de vidro, sem o uso de simulação digital. a escolha por um processo físico e controlado reafirma a importância do gesto humano e da experimentação material em um momento em que a estética digital tende à homogeneidade. vemos o mesmo movimento também no mercado de luxo, que transformou o craft em ativo estratégico: o Loewe Craft Prize, por exemplo, consolidou o trabalho manual como um valor central da marca, premiando processos autorais de diferentes países. ao mesmo tempo, designers e instituições reforçam que a inteligência artificial não ameaça o artesanato, mas aumenta seu valor, já que o feito à mão se torna cada vez mais raro.

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essa discussão também reflete na popularização de mídias analógicas, como por exemplo o aumento nas vendas de câmeras de filme, discos de vinil e revistas impressas. são associações do analógico à confiança, à durabilidade e à singularidade. é um embate direto com o “slop”, conteúdo genérico e repetitivo criado por inteligência artificial e empurrado por algoritmos que priorizam volume e engajamento. o “anti-slop” se consolida como um princípio cultural: uma recusa à automação total da experiência criativa.

e como isso impacta a indústria? cresce um movimento de reação política contra o uso indiscriminado de obras criativas em sistemas de inteligência artificial. no ano passado, mais de 11 mil artistas e as três maiores gravadoras assinaram uma declaração pública que classificou o treinamento de IA com material protegido como uma ameaça injusta aos meios de vida de quem cria. alguns países já começaram a se posicionar: na Austrália, por exemplo, o governo vetou a criação de exceções legais que permitiriam minerar obras artísticas sem licença. por aqui, artistas têm usado grandes palcos para defender a ideia de que “arte precisa de alma”. juntos, esses movimentos apontam para um novo consenso: a tecnologia pode ser ferramenta, mas não substitui o valor político e simbólico da autoria.

@urfavgirlblogcoreI hope this makes sense!! #antiai #humanities #creatives #arts #writing #pianoman #billyjoel #dreams #relatable #viral #dps
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a pesquisadora Joanna Zylinska chama esse momento de “pós-IA”, em que o desafio não é mais usar ou rejeitar a tecnologia, mas decidir como ela participa do processo. enquanto isso, a cultura se fragmenta sob o peso da automação: quanto mais o algoritmo exponencializa, mais as pessoas buscam o que é finito, lento e imperfeito. a diferença continua sendo o propósito: quem cria por curiosidade, afeto ou necessidade vai seguir criando, mesmo com novas ferramentas disponíveis. e no fim, talvez a arte feita após a IA continue sendo, como sempre foi, uma forma de pensar o humano.

@gregpalletThe level of realism a lot of the new ai image generators can attain has really got me thinking about how ai impacts art. One thing I can say for certain, is that it really doesn’t impact art at all. If the fact that a computer program can generate a realistic image somehow affects your desire to paint a picture, I have to question how seriously you wanted to paint that picture. It’s always been about the doing. #art #arttok #ai #marketing #design
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